Ortopedista Filipe Barcelos participa de curso sobre paralisia cerebral no Piauí
A paralisia cerebral (PC) é a deficiência motora mais comum diagnosticada na infância, afetando cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, segundo a plataforma World Cerebral Palsy Guide (Guia de Paralisia Cerebral). No Brasil, segundo o Registro Brasileiro para Paralisia Cerebral (RB-PC), cerca de 500 mil pessoas (entre crianças e adultos) convivem com a condição e estimam-se cerca de 8 mil novos casos por ano. Além da incidência de casos, o perfil dos pacientes no país também é preocupante: há maior proporção de casos mais graves, com forte influência de fatores perinatais e desigualdade no acesso à reabilitação, diz o ortopedista Filipe Barcelos, especialista em paralisia cerebral e doenças neuromusculares, do Hospital Albert Einstein de São Paulo.
Filipe Barcelos vai ministrar palestra sobre possibilidades de tratamento ortopédico em pessoas com paralisia cerebral em um curso sobre o tema no Uchôa Hotel, no dia 30, e no Espaço Neurofuncional, no dia 31, em Teresina, no Piauí. De acordo com Barcelos, hoje o foco no tratamento ortopédico da paralisia cerebral está na vigilância sistemática e intervenção precoce. “O acompanhamento estruturado de quadril, joelhos e coluna permite identificar precocemente alterações progressivas e intervir antes que se tornem estruturais”, explica Barcelos.
O quadril é prioridade, diz o ortopedista, especialmente em pacientes mais graves, devido ao risco de subluxação e luxação, frequentemente silenciosas. Sem vigilância, evoluem para deformidades graves e cirurgias extensas. Com monitoramento adequado, é possível realizar intervenções menores e preventivas. “No Brasil, a ausência de programas estruturados de vigilância ainda leva a perda da janela ideal de intervenção em muitos casos. Os joelhos, particularmente o desenvolvimento de flexo progressivo, impactam diretamente a eficiência da marcha. Já a coluna, com evolução de escoliose, interfere no posicionamento, conforto e função global”, acrescenta.
A terceira edição do curso “Avaliação Neurofuncional da Espasticidade: da Estrutura e Função à Participação”em Teresina (PI), contará com a participação de profissionais de diferentes áreas da saúde. No dia 30, às 15h20, Filipe Barcelos ministra a palestra “Aspectos Ortopédicos da Paralisia Cerebral: Princípios de Tratamento e Quadril”. Às 17h20, participa de uma mesa-redonda com o ortopedista Francesco Blumetti sobre os cuidados ortopédicos e as possibilidades de tratamento para pessoas com paralisia cerebral.
A programação inclui palestras, debates e atividades práticas sobre a avaliação e o tratamento da espasticidade, condição que pode provocar rigidez muscular e dificultar os movimentos. As atividades serão realizadas no Uchôa Hotel, no dia 30, e no Espaço Neurofuncional, no dia 31.

Com informações da Ascom
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