Lula é reeleito presidente do Brasil


Lula (PT), 80, foi reeleito este domingo (25) presidente do Brasil, comandando uma virada inédita na história do Brasil, ao ganhar as eleições depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno —isso nunca havia acontecido. Ele derrotou Flávio Bolsonaro (PL), 45, na eleição mais acirrada que o país já teve.

sta é a quarta vez que Lula vence a disputa para a Presidência, e será também a última. Ele não pode concorrer à reeleição em 2030 e já declarou que o pleito de 2026 foi sua despedida das urnas.

A vitória ocorre após uma campanha que, em sua reta final, levou a militância de volta às ruas, de um jeito que fez Lula lembrar de quando concorreu pela primeira vez à Presidência da República, em 1989 —naquela estreia, ao contrário do que ocorreu agora, o clamor das ruas não foi suficiente para que ele vencesse a disputa no segundo turno.

Em 1989, ele foi derrotado por Fernando Collor (PRN), então com 40 anos.

A vitória de Lula tornou real o sonho de uma militância que, a partir do dia 23 de outubro, quando pesquisa Datafolha indicou cada candidato com 50% dos votos válidos, acreditou na chance de uma virada —embora tenha ficado apreensiva com novos levantamentos que, na véspera da eleição, indicavam a vitória de Flávio.

Os atos pelo Brasil e o canal de WhatsApp “Exército de Lula” deram gás à campanha. Dentre os atos, um deles foi considerado histórico: o encontro na avenida Paulista, no dia 24 de outubro, reuniu dois milhões de apoiadores, segundo levantamento da campanha de Lula.

De maneira inédita, a campanha petista pôde se valer de um movimento digital de massas, graças à iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) de criar o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que reuniu 10,8 milhões de seguidores.

O canal chegou a ser suspenso em 11 de outubro pelo presidente do TSE Kassio Nunes Marques, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e liberado depois pelo ministro da corte eleitoral Floriano de Azevedo Marques.

Os seguidores recebiam missões de Janones, como engajamento em publicações, pesquisas com menções desfavoráveis a Flávio na internet e participação em atos e lives.

A militância digital comandada pelo deputado mineiro transformou uma campanha apática de primeiro turno em um movimento de massas enérgico, que despertou senso de importância, pertencimento e responsabilidade em eleitores anônimos.

Em vez dos artistas de sempre cantando “Lula lá, brilha uma estrela” em posts no Instagram, passaram a proliferar memes de gente comum fazendo graça com o bordão de Janones, “EXPLODE”, escrito em letras maiúsculas para inflamar os seguidores do canal. Obedecer às ordens de Janones —dadas aos gritos, em um estilo usualmente associado à direita— tornou-se uma atitude descolada.


Legado

Lula já é o segundo presidente que mais tempo ficou no cargo no Brasil. Caso termine o quarto mandato, irá se aproximar de Getúlio Vargas, com quem gosta de se comparar. Terão sido 16 anos, contra 18 do gaúcho.


O recado pode ser encarado como uma referência ao trecho final da carta-testamento de Getúlio. Em agosto de 1954, antes de se matar, ele escreveu: “Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo a vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta”.

Da Redação

Share this content:

Publicar comentário