Flávio Bolsonaro promete manter fim da escala 6×1

O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, concedeu nesta sexta-feira (16) entrevista à Globo. Ele prometeu manter o fim da escala de trabalho 6×1, disse que só quer um mandato e que “não está no radar” ter o pai, Jair Bolsonaro, com cargo em um eventual governo dele.

Escala de trabalho 6×1

Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 após ouvir trabalhadores durante a campanha e negou que vá reverter a medida caso seja eleito presidente.

Questionado sobre ter chamado a proposta de eleitoreira e oportunista antes de votar a favor dela, o senador declarou que decidiu acompanhar a vontade da maioria dos trabalhadores.

“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6 por 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a intenção de aliados de retomar uma proposta do PL que previa salários proporcionais às horas trabalhadas, negou que fosse atuar para reverter o fim da escala.

“Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, declarou.

Reforma do Judiciário e críticas a Moraes

Flávio Bolsonaro afirmou que uma reforma do Judiciário deveria buscar a recuperação da credibilidade do Poder, e citou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusou de interferir em diferentes assuntos e perseguir adversários políticos.

“Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes, o dono da caneta, interferir em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, disse. O candidato mencionou suspeitas de envolvimento de Moraes com Daniel Vorcado, ex-banqueiro, dono do Master, e atualmente preso.

Questionado sobre as denúncias de que o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro (PL) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria vínculos com Vorcaro, Flávio disse que Kassio também deveria ser investigado.

“Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, afirmou.

Reeleição para presidente

O candidato disse ser contrário a mudanças na regra da reeleição que permitiriam a entrada de familiares em uma eventual disputa. Respondeu que não apoiaria uma possível disputa por parte de seu pai, Jair Bolsonaro, ou de seus irmãos.

“Não [apoiaria a mudança]. É como está hoje na regra: vale que o parente até terceiro grau seja considerado uma reeleição”, disse.

O candidato havia sido questionado sobre falas dele no passado, nas quais defendeu o fim da reeleição para o cargo de presidente e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumentaria os mandatos de quatro para cinco anos.

Na avaliação de Flávio, caberá ao “processo legislativo” decidir o tamanho do mandato. Ele afirma só precisar de um governo para “começar a consertar” o país. “Não quero começar o mandato pensando na reeleição”, declarou.

Ainda segundo Flávio, o fim da reeleição deveria ser aplicado a outros cargos do Executivo, como os governadores.

Jair Bolsonaro em eventual governo Flávio

O candidato foi questionado se, em uma eventual vitória, seu pai Jair Bolsonaro teria um cargo garantido no governo. Flávio respondeu que o pai “nunca tratou de cargo” com ele. Disse, ainda que, se for presidente, seu pai será “o povo brasileiro”.

“[Jair] Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, a hora que eu precisar, consultar um ex-presidente da República, ter [alguém] dentro de casa, de confiança. Então eu sou um privilegiado por isso, mas [ele] nunca tratou de cargo comigo”, disse. “Não está no radar.”

Eduardo Bolsonaro não será chanceler em eventual governo

Questionado sobre um eventual futuro governo, Flávio Bolsonaro disse que o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, não será escolhido para comandar a política externa do país.

“Não, ele não vai ser meu chanceler”, disse e defendeu o irmão. “Eduardo Bolsonaro é um perseguido político que está lá foda [Estados Unidos] denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil”, definiu.

Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no Supremo Tribunal Federal em processo sobre a trama golpista. A Corte considerou que o deputado cassado tentou atrapalhar o julgamento do STF que apurou tentativa de golpe em 2022 — e que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses.

No processo, Eduardo foi acusado de promover, junto ao governo Donald Trump, dos Estados Unidos, ações para criar um clima de instabilidade e temor, ameaçando e projetando retaliações estrangeiras contra ministros do STF e contra o Brasil. Ele foi considerado culpado e condenado.

Da Redação

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